Comentário Lição 1 | O Criador fala

Dom de Profecia | 4º Trimestre 2026

Lição 1 | O Criador fala
26 de setembro a 2 de outubro de 2026
Verso para memorizar: Hebreus 1:1, 2


Sábado à tarde | Um Deus que deseja ser conhecido

A abertura da Lição coloca o estudo do dom profético em seu ponto de partida correto. Antes de falar sobre profetas, inspiração ou visões, precisamos falar sobre Deus. A Bíblia apresenta um Deus que deseja Se comunicar com Suas criaturas. O dom profético não nasce da iniciativa humana de procurar informações sobre o divino, mas da iniciativa do próprio Deus de tornar-Se conhecido.

Isso é importante porque, às vezes, associamos profecia quase exclusivamente à previsão do futuro. Biblicamente, porém, a função do profeta é muito mais ampla. O profeta é alguém chamado para comunicar a Palavra de Deus, revelar Sua vontade, corrigir desvios, consolar, advertir e conduzir o povo novamente à fidelidade. A própria introdução do trimestre apresenta o dom profético dentro desse movimento maior de Deus em direção à humanidade.

O texto para memorizar resume muito bem essa ideia: “Deus, havendo falado muitas vezes e de muitas maneiras…” (Hb 1:1). Antes mesmo de observarmos como Deus falou, vale notar o sujeito da frase: Deus falou. A revelação começa Nele. No texto grego, as palavras polymerōs e polytropōs reforçam a variedade dessa comunicação: Deus falou em diferentes momentos e de diferentes maneiras. A Bíblia registra sonhos, visões, palavras proféticas, acontecimentos históricos, símbolos, poesia, legislação e muitos outros meios. Há variedade na forma, mas unidade na origem.

Hebreus, porém, não termina nos profetas. O verso seguinte declara que Deus “nestes últimos dias nos falou pelo Filho” (Hb 1:2). Isso estabelece desde o início uma regra importante para todo o trimestre: Cristo é o centro e o clímax da revelação divina. Os profetas são mensageiros de Deus; Jesus é o Filho. Os profetas falam acerca de Deus; em Cristo, Deus Se revela de maneira pessoal e suprema.

A introdução da Lição também relaciona comunicação e restauração. O pecado deformou no ser humano a imagem de Deus, e o plano da salvação trabalha para restaurá-la. Isso significa que Deus não fala apenas para transmitir informações. Sua Palavra tem propósito redentor. Ele fala para transformar. Essa ideia pode acompanhar toda a semana: a revelação não tem como objetivo apenas fazer o ser humano saber mais sobre Deus, mas levá-lo novamente a viver em comunhão com Ele.


Domingo | Comunicação no Éden

A Lição começa com Gênesis 1:27 e a afirmação de que o ser humano foi criado “à imagem de Deus”. Vale prestar atenção nessa expressão. A palavra hebraica traduzida por “imagem” é tselem, termo que também podia ser utilizado para uma representação visível. No mundo do Antigo Oriente Próximo há textos, especialmente ligados à realeza, nos quais o rei é descrito como representante ou imagem de uma divindade. Gênesis faz algo extraordinário: não reserva essa dignidade a um faraó ou a uma pequena elite. “Homem e mulher” são criados à imagem de Deus. Todo ser humano recebe dignidade e responsabilidade diante do Criador. Esse pano de fundo não esgota o significado da imagem de Deus, mas ajuda a perceber a força da declaração bíblica.

Isso também acrescenta algo ao tema da comunicação. Deus não cria seres humanos apenas capazes de receber ordens. Cria pessoas com quem estabelece relacionamento. Em Gênesis 1 e 2, Deus abençoa, orienta, dá responsabilidades, estabelece limites e Se dirige diretamente ao homem e à mulher. A Lição fala corretamente de uma comunhão “face a face”. É bom apenas notar que Gênesis não utiliza literalmente essa expressão nesses capítulos; o que a narrativa apresenta é uma comunicação imediata, sem profeta, sacerdote ou qualquer outro mediador. Antes do pecado, não havia necessidade de um mensageiro entre Deus e a humanidade.

Há ainda um detalhe importante em Gênesis 2:15-17. O primeiro limite dado ao ser humano vem acompanhado de uma enorme liberdade: “De toda árvore do jardim você pode comer livremente”; somente depois aparece a exceção. Às vezes lemos o texto como se Deus tivesse começado a relação com uma proibição. O hebraico, porém, enfatiza primeiro a generosidade. A expressão traduzida por “certamente comerás” utiliza uma construção intensiva (akhol tokhel): comer estava amplamente permitido. A restrição recaía sobre uma única árvore. Isso muda a maneira de enxergar a ordem divina. Deus não aparece inicialmente como Aquele que restringe a vida, mas como Aquele que oferece abundantemente a vida e estabelece um limite para protegê-la.

Talvez esse seja um bom ponto para a classe: a primeira palavra de Deus ao ser humano não é de privação, mas de bênção, responsabilidade e abundância. O pecado fará a serpente inverter exatamente essa imagem.


Segunda-feira | Escondendo-se de Deus

Há um recurso literário muito bonito no texto hebraico que nossas traduções dificilmente conseguem reproduzir. Gênesis 2:25 termina dizendo que o homem e a mulher estavam “nus” e não se envergonhavam. A palavra é arummim. Imediatamente, Gênesis 3:1 começa dizendo que a serpente era mais “astuta” (arum). As palavras soam quase iguais. O narrador aproxima propositalmente a inocência e vulnerabilidade do casal da astúcia da serpente. O jogo de palavras entre “nus” e “astuta” é amplamente reconhecido nos estudos do hebraico de Gênesis.

Mais importante ainda é observar como a tentação acontece. Antes de haver um fruto na mão de Eva, há uma disputa pela interpretação da Palavra de Deus. A serpente começa: “Foi isso mesmo que Deus disse?” (Gn 3:1). Na sequência, a ordem divina vai sendo modificada. Deus havia dito que eles poderiam comer livremente das árvores, com uma exceção; na formulação da serpente, a ênfase recai sobre aquilo que Deus teria proibido. Eva, por sua vez, responde acrescentando “nem tocareis nele”, algo que não aparece na ordem registrada em Gênesis 2:17. Finalmente, a serpente contradiz frontalmente o Criador.

Aqui o hebraico é especialmente expressivo. Deus havia advertido: mot tamut, “certamente morrerás” (Gn 2:17). A serpente responde: lo mot temutun, “certamente não morrereis” (Gn 3:4). Não é uma pequena mudança de interpretação. É uma negação direta da Palavra divina. Deus diz “certamente morrerão”; a serpente acrescenta um “não”. O primeiro pecado, portanto, não envolve apenas comer algo proibido. Antes da desobediência há uma crise de confiança: em qual palavra eles acreditarão?

Esse detalhe é precioso para um trimestre sobre o dom profético. O grande problema bíblico nunca foi simplesmente a falta de vozes. Há muitas vozes. Algumas inclusive falam sobre Deus. A questão é discernir qual delas comunica fielmente o que Deus disse. Gênesis 3 mostra que uma mensagem falsa pode utilizar linguagem religiosa, mencionar Deus e até misturar verdade e mentira. Por isso, quando mais adiante estudarmos inspiração, interpretação e os testes de um profeta, estaremos lidando com uma questão que já apareceu nas primeiras páginas da Bíblia.

Depois do pecado, o casal percebe a nudez e procura se esconder. A Lição relaciona essa experiência à perda da glória que os cobria. Essa é uma conhecida leitura teológica, associada também à descrição de Deus revestido de luz no Salmo 104:1, 2. Exegeticamente, porém, convém distinguir a interpretação do que Gênesis afirma explicitamente: o texto diz que eles perceberam que estavam nus e sentiram vergonha; não diz diretamente que possuíam anteriormente uma “roupa de luz”. Fazer essa distinção não diminui a leitura teológica. Pelo contrário: ajuda-nos a saber quando estamos lendo o texto e quando estamos extraindo dele uma inferência.


Terça-feira | Deus busca a humanidade

“Mas o Senhor Deus chamou o homem e perguntou: Onde você está?” (Gn 3:9). Essa talvez seja uma das perguntas mais conhecidas da Bíblia, mas há bastante coisa acontecendo em uma frase tão curta. O verbo hebraico qara’, “chamar”, quando construído dessa maneira pode ter o sentido de chamar alguém para que se apresente, quase uma convocação. E a pergunta “onde você está?” (’ayyekah) dificilmente está procurando informação geográfica. Deus não perdeu Adão entre as árvores. A própria resposta de Adão mostra isso: ele não diz onde está; explica por que se escondeu: “tive medo”, “estava nu”, “me escondi”. A pergunta de Deus o leva a encarar sua condição.

Há aqui uma inversão que atravessará toda a história da salvação. O homem pecou, mas é Deus quem procura. O homem rompeu a comunhão, mas é Deus quem inicia a conversa. Adão se esconde, e Deus chama. Isso nos ajuda a compreender a própria profecia: Deus não levanta profetas porque gosta de simplesmente enviar informações do Céu. Ele os levanta porque continua procurando pessoas. A revelação bíblica tem uma intenção profundamente relacional e redentiva.

A Lição relaciona Gênesis 3 com Lucas 15 e a parábola do filho perdido. Se ampliarmos a leitura para o capítulo inteiro, a relação fica ainda mais bonita. Na primeira parábola, o pastor vai atrás da ovelha. Na segunda, a mulher procura cuidadosamente a moeda. Na terceira, o pai vê o filho ainda distante e o recebe de volta. Há diferenças entre as três histórias, mas o conjunto revela o mesmo coração: aquilo que está perdido importa para Deus. O “Onde você está?” de Gênesis 3 encontra eco no Deus que continua procurando o perdido.

Também merece atenção a maneira como Adão responde à responsabilidade. Ele diz: “A mulher que Tu me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi” (Gn 3:12). O problema não é somente culpar Eva. A frase dirige a acusação, ainda que indiretamente, contra o próprio Deus: foi “a mulher que Tu me deste”. Eva, por sua vez, aponta para a serpente. Em poucos versículos, o pecado rompe a relação com Deus, consigo mesmo e com o outro. A restauração terá de percorrer o caminho contrário: reconhecer a verdade, assumir responsabilidade e permitir que Deus restaure aquilo que o pecado fragmentou.


Quarta-feira | Expulsos do Jardim

A expulsão do Éden costuma ser lida apenas como castigo, mas o texto possui uma dimensão teológica ainda maior. Gênesis 3:24 diz que Deus colocou querubins para “guardar” (shamar) o caminho da árvore da vida. Querubins voltarão a aparecer de maneira marcante no santuário israelita, sobre a arca e nas representações do lugar santíssimo. Por isso, há uma longa tradição de estudos bíblicos que percebe conexões entre o Éden e o santuário. Os querubins, a presença divina, a orientação espacial e outros elementos fazem do jardim mais do que um belo cenário: ele é apresentado como espaço especial de encontro entre Deus e a humanidade.

Existe até um detalhe linguístico interessante. Em Gênesis 2:15, Adão é colocado no jardim para “cultivá-lo e guardá-lo”. Os verbos são ‘abad e shamar, que também aparecem juntos mais tarde para descrever atividades ligadas ao serviço dos levitas no santuário (Nm 3:7, 8; 8:26). Não precisamos concluir, a partir disso, que Adão já exercia formalmente um sacerdócio como o levítico, pois não havia pecado, sacrifício ou necessidade de mediação sacerdotal. Mas a correspondência vocabular, somada à presença dos querubins e de Deus no jardim, torna bastante plausível reconhecer no Éden uma linguagem que posteriormente estará associada ao santuário. Inclusive, dentro da própria pesquisa adventista há quem destaque essa conexão e quem recomende cautela em chamar Adão propriamente de “sacerdote”.

Isso torna a expulsão ainda mais dramática. O problema não é simplesmente perder uma casa bonita; é perder o acesso imediato ao espaço da presença divina. Os querubins agora “guardam” aquilo que anteriormente o ser humano havia sido chamado a “guardar”. Algo foi profundamente alterado. E, ainda assim, Deus não os manda embora sem esperança.

É nesse contexto que aparece Gênesis 3:15, tradicionalmente chamado de protoevangelho, o “primeiro evangelho”. A palavra hebraica zera‘, traduzida por “descendência” ou “semente”, pode funcionar coletivamente (os descendentes) e, conforme o contexto, também apontar para um descendente. No próprio versículo existe primeiro a perspectiva do conflito contínuo entre as duas descendências. Quando, porém, lemos Gênesis dentro do restante das Escrituras, essa linha de promessa encontra sua culminância em Cristo e na derrota do mal. Não precisamos imaginar que Adão e Eva já compreenderam naquele momento todos os detalhes da cruz. A promessa nasce como esperança ainda em forma de semente; a revelação posterior mostrará até onde ela chegaria. A leitura cristológica de Gênesis 3:15, portanto, é uma leitura canônica: o que começa em Gênesis ganha maior clareza à medida que a história bíblica avança.

Outro cuidado vale para as roupas de pele de Gênesis 3:21. É perfeitamente legítimo enxergar nelas uma antecipação teológica da provisão divina e relacioná-las ao tema da redenção. Entretanto, o texto não afirma que naquele momento foi instituído o primeiro sacrifício nem descreve o animal do qual vieram as peles. Uma boa exegese sabe também onde parar. Podemos explorar a tipologia sem fazer o texto dizer mais do que ele efetivamente diz.


Quinta-feira | Porta-vozes de Deus

Depois do Éden, a comunicação muda de forma, mas Deus não fica em silêncio. A seleção de textos da quinta-feira é muito boa justamente porque mostra diversidade: criação, profetas, Escrituras, Cristo e atuação do Espírito. Não deveríamos tratar essas formas como se fossem todas idênticas. A criação revela algo verdadeiro sobre Deus, mas não nos conta sozinha a história da redenção. Um profeta recebe uma mensagem de Deus, mas nem todo profeta escreveu um livro bíblico. As Escrituras preservam de maneira normativa a revelação divina para o povo de Deus. E Cristo não é apenas mais um meio dentro dessa relação: Ele é o ponto culminante.

É isso que torna Hebreus 1:1, 2 tão apropriado como verso para memorizar da semana. O texto grego utiliza duas palavras semelhantes, polymerōs e polytropōs: Deus falou no passado em muitas ocasiões ou partes e de muitas maneiras. Visões, sonhos, palavras proféticas, atos poderosos, lei, poesia, narrativa; a revelação bíblica possui variedade. O contraste do versículo seguinte, porém, não significa que Deus falou falsamente no Antigo Testamento e corretamente no Novo. É o mesmo Deus que fala nos dois momentos. O movimento é de promessa para cumprimento, de uma revelação múltipla para sua culminância “no Filho”. Estudos especializados em Hebreus têm chamado atenção justamente para essa combinação de continuidade e clímax.

Algo semelhante acontece em 2 Timóteo 3:16. Paulo diz que toda Escritura é theopneustos. Costumamos traduzir a palavra por “inspirada por Deus”, o que está correto, mas sua imagem literal é ainda mais forte: “soprada por Deus” ou “proveniente do sopro de Deus”. O ponto principal da palavra não é explicar mecanicamente como cada autor escreveu, como se Deus tivesse ditado cada frase. Paulo está destacando a origem: a Escritura procede de Deus e, exatamente por isso, é útil para ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça. A discussão detalhada sobre o processo de inspiração virá mais adiante no trimestre; aqui basta perceber que inspiração fala primeiro da origem e autoridade da mensagem.

E então chegamos a Jesus. Quando Ele diz: “Quem Me vê, vê o Pai” (Jo 14:9), a revelação deixa de ser apenas comunicação de informações acerca de Deus. Em Cristo, Deus Se dá a conhecer pessoalmente. É por isso que Hebreus não coloca Jesus simplesmente ao lado dos profetas. Deus falou pelos profetas, mas falou no Filho. A vida, o caráter, as palavras, a morte e a ressurreição de Jesus revelam quem Deus é. Esse princípio será importante durante todo o trimestre: qualquer manifestação verdadeira do dom profético precisa finalmente nos conduzir para mais perto do Deus revelado em Cristo, nunca competir com Ele.


Sexta-feira | Ellen G. White

A sexta-feira faz uma escolha que considero muito feliz. A primeira aproximação do trimestre com Ellen G. White não começa com sua primeira visão nem com uma defesa de sua autoridade profética. Começa com uma adolescente em crise espiritual. Historicamente, Ellen Gould Harmon nasceu em 1827 numa família metodista, sofreu aos nove anos o grave acidente que marcou sua saúde e sua formação escolar e, durante a adolescência, enfrentou um período intenso de medo religioso. O próprio White Estate, no material preparado para esta lição, destaca que sua experiência com o movimento milerita inicialmente aprofundou esses temores e que sua conversão ocorreu como um processo, no qual sua mãe e o pastor metodista Levi Stockman exerceram papéis importantes.

Esse contexto ajuda a entender por que o encontro com Stockman foi tão importante. Ellen não precisava, naquele momento, de mais medo. Ela precisava compreender o evangelho. Posteriormente, ao recordar aquele período, descreveu a mudança ocorrida em sua compreensão de Deus: passou a enxergá-Lo como um Pai bondoso e terno, e não como um tirano severo. A transformação não foi simplesmente emocional. Uma determinada compreensão de Deus estava produzindo desespero; uma compreensão mais bíblica de Seu caráter abriu espaço para fé, perdão e amor.

Para mim, há aqui um detalhe muito significativo: antes de ser mensageira, Ellen precisou ouvir. Antes de sua primeira visão e antes de qualquer discussão sobre seu ministério profético, existe uma jovem que precisa do evangelho. Isso coloca as coisas na ordem correta. O dom profético não substitui conversão, graça, Escritura ou Cristo. O profeta continua sendo alguém que necessita da mesma salvação que anuncia aos outros.

Também vale perceber que sua compreensão teológica não apareceu pronta de uma única vez. O White Estate fala em etapas de sua experiência de conversão. A própria biografia mostra crescimento, aprendizado, correções de compreensão e amadurecimento. Isso será importante quando chegarmos às lições sobre revelação e inspiração. Reconhecer alguém como profeta não significa imaginá-lo recebendo instantaneamente conhecimento completo sobre todos os assuntos. Os profetas bíblicos também viveram dentro da história, aprenderam, perguntaram e nem sempre compreenderam imediatamente todas as implicações daquilo que lhes foi revelado.

Há, por fim, uma bela conexão com o começo da semana. Em Gênesis, depois do pecado, o homem passa a ter medo de Deus e se esconde. Na sexta-feira encontramos Ellen Harmon, séculos depois, lutando também com uma imagem de Deus dominada pelo medo. Em ambos os casos, a resposta não é um Deus que deseja manter distância, mas um Deus que procura Se fazer conhecido. Talvez esse seja o fio que amarra toda a Lição 1: o pecado prejudicou nossa capacidade de enxergar, ouvir e compreender Deus corretamente; a revelação é uma das maneiras pelas quais Ele continua atravessando essa distância para nos chamar de volta.


Para levar à classe

Se eu tivesse que deixar apenas uma ideia adicional para a discussão desta semana, seria esta: estudar o dom de profecia não começa perguntando “quem é o profeta?”, mas “quem é o Deus que fala?”. Gênesis mostra que fomos criados para ouvir Sua voz; a queda mostra que outras vozes passaram a disputar nossa confiança; e o restante da Bíblia mostra Deus persistentemente procurando restaurar a comunicação interrompida pelo pecado. Por isso, o verdadeiro dom profético não chama atenção para o mensageiro como fim em si mesmo. Ele faz parte do movimento de um Deus que continua dizendo ao ser humano escondido: “Onde você está?”

Fontes de apoio utilizadas
  • Adult Bible Study Guide, 4º trimestre de 2026, Lição 1 – “The Creator Speaks”: texto-base da LES, publicado na web com autorização do escritório editorial do guia.
  • Ellen G. White Estate, material oficial complementar da Lição 1 e Life Sketches, capítulos iniciais, para a experiência de Ellen Harmon.
  • Albert Coetsee, “The Unfolding of God’s Revelation in Hebrews 1:1-2a”, HTS Theological Studies 72/3 (2016), e Gene R. Smillie, “Contrast or Continuity in Hebrews 1.1-2?”, New Testament Studies 51/4 (2005), para Hebreus 1:1, 2.
  • Raanan Eichler, estudos sobre querubins e iconografia do templo; Peter T. Lanfer, Remembering Eden, para as relações literárias entre Éden e santuário.
  • Biblical Research Institute, “Eden and the Israelite Sanctuary” e “Evaluation of Egalitarian Papers”, consultados justamente para considerar tanto os paralelos Éden-santuário quanto os limites da identificação de Adão como sacerdote.
  • NET Bible Notes e estudos especializados sobre o jogo de palavras hebraico de Gênesis 2:25-3:1, para as observações gramático-linguísticas.

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Julio Cesar Ribeiro é pastor, teólogo e professor. Atuou como secretário executivo e assistente técnico-administrativo do Centro de Pesquisas Ellen G. White, no UNASP Engenheiro Coelho. Doutorando em Teologia Bíblica pela Universidad Adventista del Plata (Argentina). Para mais informações sobre o autor, clique aqui.

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